05
dez

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João Pedro Martins da Silva. Nasceu num sábado, dia 27 de março de 2010, às 14h27, pesando 3,200 Kg e medindo 47 cm. Muito cabeludo e com pelos nas costas hehehe que logo caíram.

Escrevo esse post a noite, em minha cama olhando para ele dormir tranquilamente ao meu lado, com 6 anos quase 7 quase 18 Kg, medindo 1 metro e pouquinho… um mocinho lindo que está se desenvolvendo tanto… me sinto privilegiada em ser sua mãe.

Mas vamos lá, FOCO Tatiane, vamos falar de quando ele nasceu…

Se você leu o post anterior, viu que não mencionei nada sobre síndrome de down; isso porque não descobrimos a SD durante a gravidez. No dia seguinte ao nascimento do JP o pediatra de plantão no hospital, responsável por avaliar os bebês para dar alta ou não, entrou no meu quarto e muito sem “humanidade” me perguntou se eu sabia o que síndrome de down e com meu filho no colo mostrou-me algumas características que poderiam levar a esse diagnóstico. Me deu uma guia de exame para confirmar ou não essa suspeita. Peguei meu filho do seu colo e ele se virou indo embora, deixando uma mãe “recém parida”, marinheira de primeira viagem, sozinha, assustada e com uma bomba dessa na cabeça.

Algum tempo depois meus familiares foram nos visitar e após o horário de visita poderíamos ir embora… tentei disfarçar o choro, mas o Pedro percebeu e insistiu para que eu contasse… ele só faltou ir atrás do médico para brigar por dar uma notícia dessa friamente à uma mulher sem alguém do lado para apoiá-la; mas com os ânimos mais calmos fomos para a casa da minha sogra, onde passei os primeiros dias do JP para ela me ajudar e a primeira coisa que fizemos foi pesquisar sobre a síndrome. A casa se encheu de amigos e parentes para conhecer o João e não sabíamos se contávamos ou não, pois afinal ainda não tínhamos certeza.

No dia seguinte fomos a uma clínica para coletar o sangue dele para o exame Cariotipo Banda G (nunca lembro nome nem de remédio, mas desse, nunca me esquecerei). O resultado saia em um mês. Durante esse mês aconteceram tantas coisas boas, que não acreditávamos que o resultado pudesse dar positivo… mas deu.

Se eu disser que todos aceitamos de primeira, seria uma grandessíssima hipócrita! Todos esperam por uma criança perfeita, sem deficiência alguma e na hora em que recebemos uma notícia como essa, esta criança ideal não existe mais. Com o tempo entendemos que criança perfeita não existe mesmo, que todos somos perfeitos nas nossas imperfeições e que o que temos de mais diferente é o que nos torna mais lindos e especiais… mas de primeira, primeeeira mesmo, não pensamos assim.

Respiramos fundo e no final das contas enxergamos que um cromossomo a mais não faria diferença para nós, porque o que mais importa é que era nosso bebê, nosso presente de Deus, nosso menino amado, carne da nossa carne e que não o amaríamos menos por isso, talvez o contrário; o amaríamos ainda mais, se é que é possível medir o amor por um filho.

Então o colocamos na APAE para fazer as terapias necessárias para ajudá-lo no seu desenvolvimento e assim começou, de fato, nossa história.