05
dez

dsc00012

Duas pessoas com poucas coisas em comum e outras tantas diferentes, mas que juntas se completariam e se tornariam pais de um menino lindo que os ensinaria muito sobre a vida e o amor… Pedro e eu (Tati).

Pedro tinha 28 anos e eu 19.

Ele acabara de voltar de Londres e eu cursava o segundo ano de administração de empresas quando nos conhecemos.

Ele já era formado em engenharia de telecomunicações a um tempo, conhecia vários lugares do Brasil e morou um ano na Europa. Eu trabalhava com recursos humanos, mau ia ao litoral e sonhava com um intercâmbio no Canadá depois da formatura.

Ele é irmão mais velho de 3. Eu, filha única.

Ele morava em Campinas – SP e vinha visitar a família nos finais de semana em Santa Rita do Sapucaí – MG. Eu morava em Pouso Alegre – MG, estudava em Santa Rita do Sapucaí – MG e visitava minha família aos finais de semana em Conceição dos Ouros – MG (eu sei, rebolávamos para nos encontrar quando começamos a namorar hehehe).

Trabalhávamos e estudávamos muito para desenvolver nossas carreiras da melhor maneira possível; ele na área de exatas e tecnologia, eu na área de humanas (adivinhem quem é o racional e o emocional da relação kkk).

Os dois cheios de amigos, com a família sempre por perto e com vários sonhos em mente… assim éramos nós antes do JP, crianças grandes aprendendo com erros e acertos.

31-07-07_0022dsc04334



05
dez

2-1

Um dia em 2009 uma amiga em comum nos apresentou. Kátia me disse que conhecia um carinha que combinava com meu jeito e que pediria para ele me adicionar no ORKUT! Sim, somos da era do Orkut… começamos a conversar, trocamos telefone e então chegou o dia de nos conhecermos, como era amigo da Kátia pedi que ela fosse também e mais alguns outros amigos. E desde então estamos juntos.

E como bons mineiros de família que somos, fomos devidamente apresentados um para a família do outro e passamos a fazer parte da vida um do outro. O fato de morarmos fora fez com que aproveitássemos mais o tempo juntos nos finais de semana com os pais e familiares um do outro: sábado em Santa Rita com a família dele e aos domingos com a minha, em Conceição dos Ouros. As cidades são vizinhas, o que facilitava a correria e cada minuto junto valia a pena, já que durante a semana era cada um pro seu lado.

Então um dia descobrimos a gravidez não planejada. Foi um susto e ao mesmo tempo uma alegria, era uma nova vida que se formava e nossas famílias nos apoiaram nesse momento de mudança nas nossas vidas. Pensei em trancar a faculdade, mas Pedro me convenceu do contrário, naquela altura do campeonato só faltava metade e quando nosso filho ou filha nascesse, faltaria um ano e meio… o sacrifício valeria a pena. Transferir a faculdade para irmos morar juntos não era uma opção financeiramente viável… Casar também não estava nos planos, então decidimos que ficaríamos do jeito que estava, eu terminaria a faculdade no sul de Minas e quando terminasse aí sim nos casaríamos e iríamos para Campinas.

Foi uma gravidez “tranquila”, exceto por um descolamento de placenta no início do terceiro mês, fora esse episódio a minha saúde e a do bebê se manteve ótima durante toda a gestação. O que não a deixava totalmente tranquila era o fato de continuar no ritmo pesado de provas e trabalhos na faculdade, feiras e artigos para entregar, meu estágio em RH havia terminado e voltei a morar com meus pais, ia e voltava de van para a faculdade (no final da gravidez isso se tornou bem incômodo devido às más condições da estrada e minha barriga quase explodir em cada buraco que passava), ia às consultas do pré-natal sozinha e para o Pedro era angustiante não estar perto nesses momentos (pelo menos conseguia marcar os ultrassons para os sábados e assim o Pedro conseguia participar e ver nosso príncipe) Ah! Essa parte preciso falar… Pedro jurava de pé junto que seria menina kkk, mas não foi dessa vez que a Sofia veio hein amor! Em fim… gravidez não planejada é assim mesmo minha fia, não se está preparado para tanta coisa.

Mesmo assim, hoje lembro com nostalgia da minha gravidez. Realmente é uma transformação incrível e a mais fantástica que uma mulher pode ter. Para um homem, acredito que seja um momento de amadurecimento; mas acho que a ficha deles só cai mesmo quando o bichinho nasce… entendi isso ao assistir ao vídeo que o Pedro fez do parto e dá para escutar o choro dele quando o JP enfim, nasceu…

dsc00153-2



05
dez

post-2

 

João Pedro Martins da Silva. Nasceu num sábado, dia 27 de março de 2010, às 14h27, pesando 3,200 Kg e medindo 47 cm. Muito cabeludo e com pelos nas costas hehehe que logo caíram.

Escrevo esse post a noite, em minha cama olhando para ele dormir tranquilamente ao meu lado, com 6 anos quase 7 quase 18 Kg, medindo 1 metro e pouquinho… um mocinho lindo que está se desenvolvendo tanto… me sinto privilegiada em ser sua mãe.

Mas vamos lá, FOCO Tatiane, vamos falar de quando ele nasceu…

Se você leu o post anterior, viu que não mencionei nada sobre síndrome de down; isso porque não descobrimos a SD durante a gravidez. No dia seguinte ao nascimento do JP o pediatra de plantão no hospital, responsável por avaliar os bebês para dar alta ou não, entrou no meu quarto e muito sem “humanidade” me perguntou se eu sabia o que síndrome de down e com meu filho no colo mostrou-me algumas características que poderiam levar a esse diagnóstico. Me deu uma guia de exame para confirmar ou não essa suspeita. Peguei meu filho do seu colo e ele se virou indo embora, deixando uma mãe “recém parida”, marinheira de primeira viagem, sozinha, assustada e com uma bomba dessa na cabeça.

Algum tempo depois meus familiares foram nos visitar e após o horário de visita poderíamos ir embora… tentei disfarçar o choro, mas o Pedro percebeu e insistiu para que eu contasse… ele só faltou ir atrás do médico para brigar por dar uma notícia dessa friamente à uma mulher sem alguém do lado para apoiá-la; mas com os ânimos mais calmos fomos para a casa da minha sogra, onde passei os primeiros dias do JP para ela me ajudar e a primeira coisa que fizemos foi pesquisar sobre a síndrome. A casa se encheu de amigos e parentes para conhecer o João e não sabíamos se contávamos ou não, pois afinal ainda não tínhamos certeza.

No dia seguinte fomos a uma clínica para coletar o sangue dele para o exame Cariotipo Banda G (nunca lembro nome nem de remédio, mas desse, nunca me esquecerei). O resultado saia em um mês. Durante esse mês aconteceram tantas coisas boas, que não acreditávamos que o resultado pudesse dar positivo… mas deu.

Se eu disser que todos aceitamos de primeira, seria uma grandessíssima hipócrita! Todos esperam por uma criança perfeita, sem deficiência alguma e na hora em que recebemos uma notícia como essa, esta criança ideal não existe mais. Com o tempo entendemos que criança perfeita não existe mesmo, que todos somos perfeitos nas nossas imperfeições e que o que temos de mais diferente é o que nos torna mais lindos e especiais… mas de primeira, primeeeira mesmo, não pensamos assim.

Respiramos fundo e no final das contas enxergamos que um cromossomo a mais não faria diferença para nós, porque o que mais importa é que era nosso bebê, nosso presente de Deus, nosso menino amado, carne da nossa carne e que não o amaríamos menos por isso, talvez o contrário; o amaríamos ainda mais, se é que é possível medir o amor por um filho.

Então o colocamos na APAE para fazer as terapias necessárias para ajudá-lo no seu desenvolvimento e assim começou, de fato, nossa história.



05
dez

20150912_200819

Com o dia a dia do JP, vencendo desafios, aprendendo sobre maternidade e sobre a síndrome de down, foram surgindo muitas dúvidas de como lidar com tudo isso, de como cuidar de uma criança com SD, de como antecipar suas dificuldades e assim estimular para que ela pudesse vencer esses desafios…

Para ter as respostas às nossas dúvidas, muitas vezes recorríamos a internet e por vezes encontrávamos artigos repetitivos e com um conteúdo bem frio voltado mais para o ponto de vista do diagnóstico, bem na linguagem médica mesmo (e não era isso que procurávamos). Eu e o Pedro queríamos entender como era o dia a dia na prática, de como os pais deveriam se portar, como ajudar, quais brincadeiras fazer para estimular nosso bebê… coisas de PAIS mesmo sabe?! Não só o diagnóstico.

Sim, a informação médica é muito, MUITO importante – tanto que teremos entrevistas com especialistas por aqui no blog – mas o fato é, criamos um blog para contar coisas que fazíamos com o JP. Ele tinha apenas essa intenção no início… mas com o tempo foi crescendo, as pessoas que tinham amigos que acabavam descobrindo que o filho tinha SD indicavam o blog e o meu facebook para que pudessem conversar comigo e assim, talvez, ter um conforto amigo, uma dica de como lidar com essa nova vida que tinham concebido…

Fiz MUITAS amizades com o primeiro Blog – que se chamava Down, amor excepcional e fiz questão de manter a identidade – porém não dei continuidade, nos mudamos para Campinas e lá foquei no meu trabalho como Consultora de Beleza e posteriormente, Diretora de Vendas. Amo a área da beleza e a flexibilidade que ela proporciona, mas agora (2016) resolvi dar um tempo dessa atividade e focar mais no JP, senti que era hora de mais uma vez largar tudo e me dedicar a ajudá-lo; ele está prestes a fazer 7 anos e não estava com os devidos atendimentos em Campinas, não estava se desenvolvendo bem… em abril voltamos a morar em Santa Rita do Sapucaí – MG, pertinho da família e amigos e desde então ele é outra criança!!! 2016 está terminando e percebo que muita, mas MUITA coisa mudou e pra melhor.

Então resolvi voltar com o blog, profissionalizar os paranauê todo e assim continuar ajudando outras mães e pais a lidar com seus medos, dúvidas e a valorizar o amor pelo seu downzinho. Não sou médica, nem especialista na área de SD… mas sou especialista em AMAR o meu filho e procurar formas para ajudá-lo a se desenvolver, a acreditar em si mesmo, ensinar que ele poderá ser o que ele quiser e se propuser a fazer bem feito, ensino que ele é vencedor, maravilhoso, forte, inteligente e bondoso. Você não encontrará aqui “receitas prontas” de como cuidar de uma criança com SD, até porque eu erro, erro muito… mas entre erros e acertos se faz uma mãe babona e que está disposta a compartilhar aqui um pouco sobre o que ela queria encontrar na internet quando descobriu que foi presenteada com um “downlindo”: INFORMAÇÃO COM AMOR  [computer] [pinkheart]

downamorexcepcional-logotipo